sexta-feira, 13 de agosto de 2010

SEM PALAVRAS


A todos saudo com Graça e Paz.




Não sou de muitas palavras
Nunca fui!
Existe em mim uma necessidade de silêncio
Premente
E limito-me a dizer o insondável
O extremamente necessário
O urgente ... o aflitivo
Não que o seja da minha parte
Mas sim dos outros
Que com olhos postos aguardam
Expectantes
Umas palavras quaisquer
Numa ânsia desmedida
De as conhecer
De as beber
E assim pronuncio-as
Finalmente
Mas palavras são apenas isso,
Palavras!
E mal são ditas perdem o significado
Que tinham antes de proferidas
Como se de uma magia qualquer se tratasse
E o poder só existisse enquanto fechado,
Secreto e sacramentado
Depois de ditas
São banais
Vulgares
Iguais
Palavras
São armas de arremesso
Doce afago no coração
São punhais, terrível traição
São desculpas esfarrapadas
Tristes notícias nos dão

Palavras
São tantas vezes enganos
Tanto faz de conta
Tanta falsa emoção
Deixámos há muito de comunicar
Construímos apenas castelos
Mas no lugar das cartas
Fizemo-lo de palavras
Que do mesmo modo tombam
Perante a realidade de uma acção

Palavras deixaram de ser ditas com o coração
Dizemo-las convictos de nada dizer
Sabendo que caminhamos sem direcção

Palavras são escudos de bem parecer
Ocas de significado sem vontade ou lição
E assim as palavras deixaram de ser
O que diferenciava um ser de outro ser

Palavras
São apenas palavras
Desprovidas de valor
Sem significado
Morreram
Solitárias
Na tinta
Apagada e envelhecida
Dos tratados
E condados
Num outro tempo
Noutro lugar
No passado
Adormecidas

"As palavras são prata, mas o silêncio vale ouro." (Provérbios)

A voz do silêncio é a voz de Deus. E falar com Ele é um privilégio maravilhoso acessível a todos nós.

Diz-me tudo o que quiseres... mas não mo digas por palavras.



terça-feira, 20 de julho de 2010

IMORTALIDADE


Graça e Paz!
O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Hebreus 5:7



Alguns séculos antes de nosso Mestre Jesus Cristo ter estado aqui entre nós, viveu em Atenas, um grande filósofo chamado Sócrates.

A sua filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia.
Aos setenta e tal anos foi Sócrates condenado à morte, muito embora estivesse inocente.
Enquanto aguardava na cadeia o dia da execução, os seus amigos e discípulos moviam todos os esforços para o preservar da morte.
O condenado, porém não moveu um dedo para esse fim; com perfeita tranquilidade e paz de espírito aguardou o dia em que ia beber o veneno mortífero.

Na véspera da execução, os seus amigos conseguiram subornar o carcereiro (desde daquela época já existia essa prática...), que abriu a porta da prisão.

Críton, o mais ardente dos discípulos de Sócrates, entrou na cadeia e disse ao mestre:

- Foge depressa, Sócrates!

- Fugir, por quê? - Perguntou o preso.

- Ora, não sabes que amanhã te vão matar?

- Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar!

- Sim, amanhã terás de beber a taça de veneno mortal - insistiu Críton.

- Vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte!

- Meu caro amigo Críton - respondeu o condenado - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim ...

Depois, puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:

- Críton, achas que isto aqui é Sócrates?

E, batendo com o punho nos ossos do crânio, acrescentou:

- Achas que isto aqui é Sócrates?... Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar a MINHA ALMA! ...

E ficou sentado na cadeia, de porta aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo.

No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e o seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços:

- Sócrates, onde queres que te enterremos?

Ao que o filósofo, semiconsciente, murmurou:

- Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates ... Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu... EU SOU A MINHA ALMA...

E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da FELICIDADE, que nem a morte lhe pôde roubar.

Porque CONHECIA-SE A SI MESMO, O SEU VERDADEIRO EU DIVINO. ETERNO. IMORTAL..."
Assim somos nós, seres IMORTAIS, pois somos
ALMA,

LUZ,

DIVINOS,

ETERNOS...

Por isso NÃO TEMAS, nem azar, senilidade ou doença te matará, porque nós só morremos, quando somos simplesmente ESQUECIDOS...

Nada, mesmo nada, nem mesmo a morte pode trazer o esquecimento até mim.
Deus Abençoe a todos nesta hora e sempre.


quinta-feira, 8 de julho de 2010

DÚVIDAS

Salmo 139 - 23 e 24: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno."



Não é meu hábito escrever por aqui sobre problemas concretos da minha vida, muito menos deles dar detalhe, por isso só eu e o Mestre sabemos exactamente de que estou a precisar, mas abro uma excepção para dizer que vivo um momento de dúvida. Não, não estou assustado, sou Cristão, aprendi a sentir beleza em não saber onde vou chegar e em não ter certeza do tempo certo para as decisões que tenho que tomar na minha vida. Aprendi também que Deus não se satisfez apenas com nossa existência. Ele quis também que vivêssemos, nos deu livre arbítrio e por isso mesmo Ele permite a existência de dúvidas e incertezas na nossa jornada. De contrário, a vida não seria vivida, mas cumprida, como que seguindo um regulamento, coisa previsível, onde não haveria espaço para a surpresa e subsequentemente para as lágrimas, sorrisos, dor e alegria. Também acho que se Ele me permitisse saber, de antemão, tudo aquilo que me vai acontecer, eu teria simplesmente existido e passado pela vida sem ter vivido, porque viver é experimentar, é vivenciar, é conhecer, é sentir, é sofrer, é suportar, é rir e chorar, é errar, é aprender, é crescer e amadurecer, é surpreender e surpreender-se, é descobrir os outros e descobrir-se. Viver é estar convicto da existência de um elemento novo, ainda que desconhecido, prestes a fazer com que o nosso coração possa bater mais forte, seja de alegria, seja de tristeza. Viver é saber que o amor e a dor podem até passar, mas o coração continua. Viver é continuar seguindo em frente mesmo sem ter certeza de onde se vai chegar e muito embora com a perfeita consciência do que acima escrevi, aqui reside a minha dúvida.



E então, não conheces a tua bússola? Conheço, mas tenho dúvidas se estou no caminho certo.

Tu Senhor és o meu Norte, mostra-me a direcção, porque sem ti tudo é igual, não existe leme, o caminho torna-se descaminho e a verdade, mentira. As tuas promessas demoram-se. Ajuda-me a não deixar de ver beleza na dúvida e que esta não seja nunca transformada em ingratidão, murmúrio e falta de fé.



Para cada escolha uma renúncia... sempre temos que abrir mão de algo que gostamos para aproveitar outras. Ajudem-me a pensar neste momento porque queria muito acertar.



Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

AMOR CARNAL...

         Graça e Paz

O que mais quero é para sempre equilibrar,


Paixão e amor no mesmo rol das emoções...

Quero de amor à tua vida me enlaçar,

E de paixão me entregar, sem restrições...


Vivem um amor total,

Bandido, leal, vilão...

Mistura de bem e mal,

Nas tramas de um coração...

Podemos pincela-lo com muitas cores, mas o nosso amor é assim... Um viajante do tempo que mescla adoravelmente o passado e o futuro em nosso eterno presente…

Amar é verbo, amor, substantivo. Gramaticalmente.



É simples assim? Sim e não. Simples, mas nem tanto.



Amar é manifestar em pensamentos, palavras e acções o mais expressivo e dignificante dos sentimentos humanos. Amar inclui dedicação, doação, carinho e muitas vezes renúncia.



Amor é, simultaneamente, princípio e fim de tudo isso; o amor consegue ser causa e consequência das acções do verbo amar.

Em si, o amor afectivo e o amor carnal não têm nada de nobre; o homem procura neles a sua própria satisfação; o que enobrece o amor é o carácter espiritual, pelo qual os que se amam aspiram a realizar juntos uma perfeição mais alta e pelo qual aquele que ama pretende o bem do amado. Mas o amor nutre-se, manifesta-se e expande-se no afectivo e no carnal. Um amor puramente espiritual, desligado da carne, é inumano ou sobre-humano. É inumano se se não apoia noutras realidades além das humanas. O homem, considerado em si mesmo e nas condições habituais da sua natureza, está feito para um amor de proporções humanas, e estas exigem que a afectividade e o próprio corpo, nos seus instintos mais profundos, estejam comprometidos no amor. Mas a nobreza e a pureza do amor afectivo e carnal dependem do amor espiritual que manifestam. Não é possível separá-los.

Nem toda a queda é lamentável... Se um dia tiveres que cair, que seja de amor por alguém. É uma queda que vale a pena!

Deus Abençoe a todos.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sal da Terra, Fermento e Luz do Mundo


A todos saúdo com Graça e Paz;


( 1 João 3:17-18)


Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?


Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.”

Nos dias de hoje, em que estamos a viver a revolução do fim da era industrial, como a vivida há 200 anos, quando a agricultura deixou de ser a maior fonte de emprego, sendo que agora, a fonte do emprego está a ser na área do conhecimento, confesso que também ando confuso com isto, mas o que acho é que a crise internacional actual é a crise do mercado sem regras, sem valores, que faliu completamente do mesmo modo que caiu o muro de Berlim. O trabalho deveria estar inserido na vida das pessoas de modo a não ofender o sentido dessa mesma vida. Fico perplexo, por ver creches e colégios abertos das sete às vinte horas, para substituírem já não parcialmente como deviam os pais que estão demasiado tempo no trabalho, por isso penso ser legítimo perguntar-me se não estaremos nós a ir atrás de um certo estilo de vida que sacrifica demasiado as pessoas e que não vê a realidade sob o ponto de vista cristão e ético e é isto que me faz reflectir sobre o papel que um Estado Social moderno como o que existe no meu pais deve acautelar.


Em jeito de prólogo quero deixar bem patente que sou um crente com esperança e que apesar toda a crise económica mundial acredito no amanhã e por isso apelo à abertura de boas vontades para que se encorajem novas formas de encontro, de debate e de solidariedade para todos os problemas.


Em Portugal, o Programa de Reinserção Social (Vulgo Rendimento Mínimo) é talvez o mais bem sucedido entre os vários programas sociais criados e continuados pelos últimos governos, destinado a contornar vários problemas endémicos como a má distribuição da riqueza, as deficiências do sistema de ensino, o desemprego estrutural e a baixa qualificação da mão-de-obra do país. Analisando alguns dados disponíveis, eles revelam-nos a enorme abrangência alcançada pelo programa, sobretudo nos subúrbios das grandes áreas metropolitanas de cidades como Lisboa, Porto, Braga e Setúbal.


Criado com o objectivo de permitir às famílias de baixo rendimento uma ajuda para viverem com o mínimo de dignidade, a verdade é que actualmente o Rendimento Mínimo, tornou-se para muitas famílias a única fonte de sustento, por isso essencial e da qual dependem integralmente. O programa de forma geral é bastante elogiado, mas existem muitos críticos, nomeadamente no discurso político, que o acusam de não estar vinculado a outras estratégias que permitam que os beneficiários venham a romper com o ciclo de pobreza. Ainda assim, estes críticos reconhecem que determinadas famílias vivem em condições sociais e económicas tão débeis que não lhes é possível gerarem riqueza para o seu sustento, necessitando desta forma de uma protecção económica do estado. O lado negro desta forma de assistencialismo, é a exploração política de que este tipo de programa é vítima e a acomodação desonesta encontrada entre alguns de seus beneficiários, que simplesmente se adaptaram a esta forma de vida, ainda que tenham condições de gerarem o seu próprio sustento através do seu trabalho. Isto sem falar nos casos de atribuições ilícitas, um tipo de fraude que infelizmente é bastante comum em relação a todos os benefícios prestados pelo estado, contudo, penso que os problemas e os vícios inerentes às prestações sociais por parte do estado não invalidam o exercício desta função. De um ponto de vista moral e humano, enquanto persistirem os problemas estruturais responsáveis pela pobreza, é necessário que o estado continue a prestar esta assistência, como uma forma de minimizar as consequências desta pobreza, como condição de sobrevivência para muitas famílias.


Mas esta questão tem entretanto um lado que não diz respeito ao governo, mas à própria sociedade. Em que medida cada cidadão é também co-responsável no exercício desta função de ajuda? As pessoas de um modo geral estão prontas e mobilizam-se para ajudarem os seus semelhantes em condições atípicas, como no caso de cataclismos naturais, guerras e epidemias. No entanto, no quotidiano, é bastante raro encontrar pessoas dispostas a mitigar o sofrimento de muitos que vivem permanentemente numa situação de calamidade pessoal e de vida indigna.


O cidadão comum convive com a miséria de muitos de seus semelhantes no dia-a-dia, como coisa normal, indiferente ao seu sofrimento e à condição desumana na qual vivem muitas e muitas pessoas. Esta indiferença é alegada em motivos como: - A responsabilidade pela assistência social é do governo, não da sociedade civil. Afinal é para isto que pagos os meus impostos e não quero ajudar a preservar situações sociais irregulares e portanto referendar a inércia do estado; Muitos dos que recebem prestações sociais são pessoas preguiçosas ou desonestas, que tiram proveito desta situação apesar de não terem essa necessidade; Ajudar estas pessoas é fomentar indirectamente o culto à preguiça, ao consumo de álcool e de drogas.


Todas estas objecções a princípio são válidas e baseiam-se em fatos comprovados. Entretanto, elas não justificam, por si só, a recusa do cidadão comum em ajudar o necessitado. Da mesma forma que a existência comprovada de famílias efectivamente carentes justifica a manutenção dos programas sociais do governo; apesar dos vícios decorrentes do mau uso dos seus benefícios, também a existência comprovada de pessoas efectivamente carentes justifica a prestação de assistência individual que lhes é dada, não somente por parte do estado, mas também por iniciativa de cada cidadão. Relegar apenas ao estado a responsabilidade nesta matéria é no mínimo uma demonstração de insensatez e desconhecimento da realidade da máquina administrativa do estado. Está historicamente demonstrado que o estado é incapaz, por si só, de exercer, de modo efectivo, todas as funções sociais que lhe são próprias, apesar dos impostos que de nós recebe.


A questão discutível portanto, é a forma como esta ajuda deve ser prestada. A maioria das pessoas recusa-se, mais por uma questão de comodismo que de ordem prática, a envolver-se directamente com os problemas de sua comunidade, sob a alegação de que este trabalho deve ser exercido apenas por instituições civis devidamente organizadas para isso. As actividades sociais prestadas por tais instituições quando seriamente administradas, são realmente efectivas. Não apenas pela sua abrangência, mas também pela eficiência com que atendem àqueles que delas necessitam. Muitas destas instituições estão voltadas não apenas para remediar situações de carência, mas também para proporcionar meios de reverter situações crónicas de dependência social, através da formação profissional ou de outras estratégias de inclusão.


Entretanto, nem todos os casos de carência humana podem ser encaminhados aos cuidados de instituições sociais. Não é possível, por exemplo, que ao deparar com uma pessoa que encontro na rua e que percebo estar literalmente com fome, eu lhe diga simplesmente para procurar uma ONG ou uma outra instituição qualquer para que lhe dêem uma refeição. Como também não é possível dizer a uma pessoa que está prestes a suicidar-se que aguarde a chegada de um psicólogo. Além disso, as instituições sociais têm limitações no que respeita a recursos financeiros e humanos, que as impossibilitam de atender a todo o volume de pessoas necessitadas existentes numa comunidade.


Caberá sempre portanto, ao cidadão comum, uma parcela de responsabilidade no exercício da ajuda social. Os argumentos comummente alegados para a recusa em assumir esta responsabilidade, acima mencionados, não podem ser entretanto discutidos apenas do ponto de vista político ou social, mas requerem a consideração de princípios Cristãos. Nem sempre é possível, por exemplo, saber se um indivíduo que pede auxílio é realmente carente, ou se é desonesto, ou se é simplesmente preguiçoso. Também não é sempre possível saber se o dinheiro dado como esmola a um jovem ou um adulto não vai ser usado para comprar álcool ou drogas.


A doutrina Cristã afirma o livre arbítrio de cada um e a responsabilidade de cada indivíduo pelos seus actos perante Deus. Por isto, a Palavra afirma que não devemos julgar levianamente a conduta de ninguém e também que a nossa generosidade deve ser incondicional, a ponto de ser estendida até mesmo aos nossos inimigos. Mateus 7:1-2).


1 Não julgueis, para que não sejais julgados.


2 Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão-de medir a vós.


Isto significa que se alguém explora conscientemente a boa fé alheia, ou se faz mau uso de uma ajuda que recebe, ele ou ela prestará contas a Deus por isso, mais cedo ou mais tarde (Romanos 2:5-11).


5 Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;


6 O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber:


7 A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;


8 Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade;


9 Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego;


10 Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego;


11 Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

Isto não deve portanto ser empecilho para que eu seja solidário com o meu semelhante, a menos é claro, que eu o conheça e saiba com certeza que ele fará mau uso daquilo que pede. Também o bom senso manda que é preferível oferecer ajuda em bens materiais; roupas, remédios e alimentos, do que em dinheiro. O que faria Jesus se caminhasse hoje por nossas ruas?


A solidariedade cristã é totalmente diversa da solidariedade humanista, pois enquanto esta é exercida por uma questão de responsabilidade social apenas, de forma discriminada, normalmente alardeada publicamente e em geral usada como meio para aplacar uma consciência inquieta; aquela é exercida por amor a Cristo, de forma incondicional, discreta e generosa. A verdadeira solidariedade cristã não discrimina aquele que recebe o benefício e tampouco espera recompensa por aquilo que faz (Lucas 6:33-35).


33 E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo.


34 E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto.


35 Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus.

Existem entretanto alguns cristãos que afirmam que não se deve dar esmolas, mas apenas evangelizar, pois o verdadeiro cristão não precisa pedir esmolas. Com efeito, a palavra de Deus afirma que por meio da sua fé, o justo é sustentado pela providência divina e que ainda que venha a enfrentar situações de carência material que não possa solucionar; Deus cuidará, por sua graça e poder, para que sejam supridas todas as suas necessidades (Salmos 34:19; 37:25).


19 Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas


25 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão.

Entretanto, é preciso lembrar que o não convertido vê as suas carências de uma forma totalmente diversa do cristão, pois ainda não foi espiritualmente restaurado por Deus. O seu coração está endurecido e antes que ele possa render-se à Graça de Deus, é essencial que ele perceba naquele que o evangeliza a misericórdia desse Deus, através da provisão de suas necessidades imediatas (Lucas 12:33).


33 Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.


Evidentemente, o cristão não tem que sustentar ou ajudar indefinidamente aqueles que batem à sua porta, e que mesmo depois de receberem cuidados e serem apresentados a Cristo, adiam indefinidamente a decisão de lhe entregarem as suas vidas. Muito menos deve o cristão ajudar o impenitente, aquele que declaradamente se recusa a arrepender-se de más condutas e persiste intencionalmente nos mesmos erros.


Assim, o trabalho social praticada por instituições religiosas e pelos cristãos em geral é deveras importante para ser esquecido ou deixado de lado. Lamentável e tristemente constato que, no meio evangélico, o conceito de amor ao próximo geralmente limita-se à evangelização e à intercessão espiritual. Certamente praticamos a principal forma de demonstração de amor ao próximo, ao anunciar o reino de Deus e a urgência da busca da salvação em Cristo, mas, entretanto, não podemos esquecer de que Cristo não exortou apenas a fazer discípulos em todas as nações, mas também a curar os enfermos, a libertar do jugo do mal, a alimentar o faminto e a consolar os aflitos.


O falso cristão, o cristão religioso, cumpre apenas os preceitos da sua igreja, pode até frequentar fielmente os cultos e participar em campanhas evangélicas, mas, se se esquecer de estender a mão para o seu semelhante, ou ignora o clamor daqueles que clamam por auxílio todos os dias, nos hospitais, nos asilos, nas cadeias, nas creches e até mesmo na casa ao lado da sua . . .


A actividade de ajuda social pode e deve ser exercida pela igreja, tanto enquanto instituição como individualmente, por cada um de seus membros, pois ela é a comprovação prática de obediência ao evangelho de Cristo. Jesus ilustra, através da parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:30-37), a forma pela qual deve ser posto em prática o mandamento divino do amor ao próximo.


30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.


31 E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.


32 E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.


33 Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;


34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;


35 E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.


36 Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?


37 E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Por este motivo, a ajuda social quando praticada pela igreja ou pelo cristão, é uma porta pela qual muitos ouvem o chamado de Deus e se convertem, exactamente pelo fato de que o não convertido percebe, através dela, que aquele que prega o amor de Deus demonstra, em sua vida, que a sua fé é autêntica e que ele pratica aquilo que prega.


Caríssimos, o Cristão tem que ser tão diferente de homens incrédulos, como Jesus o foi claramente diferente das pessoas do mundo naquela época. O crente tem que ser como que uma espécie separada, inigualável, destacada do eu. Nele deve existir alguma coisa que o distinga de todas as outras pessoas, alguma coisa que possa ser patente e inequivocamente reconhecida pelos outros, pois só assim poderá ser o Sal da Terra, o Fermento e a Luz do Mundo.

Deus Abençoe a todos